Tênis de corrida ou tênis de academia: dá para usar o mesmo?
Quando o tênis de corrida funciona na academia, quando atrapalha na musculação e no treino funcional, e o que observar para usar um par só.
É comum usar o mesmo tênis para correr e para ir à academia. Para algumas atividades isso funciona bem. Para outras, o que torna um tênis ótimo para correr passa a atrapalhar. A diferença está no tipo de movimento: correr é repetir o mesmo gesto para a frente milhares de vezes, enquanto a musculação e o treino funcional pedem base firme, empurrões contra o chão e mudanças de direção.
Entender o que cada tênis faz bem ajuda a decidir se vale ter dois pares ou se um só resolve a sua rotina.
O que o tênis de corrida faz bem
O tênis de corrida foi pensado para absorver impacto e conduzir o pé para a frente. Ele costuma ter entressola alta e macia, diferença de altura entre calcanhar e frente, chamada de drop, e muitas vezes uma sola curvada, chamada de rocker, que facilita a rolagem do passo. O cabedal é leve e ventilado. Tudo isso ajuda na corrida e na caminhada.
Esses mesmos recursos viram problema quando o movimento é outro. Espuma macia e alta afunda sob carga parada, como num agachamento com peso. A sola curva e o drop deslocam o pé. E o cabedal leve dá pouco suporte lateral quando você muda de direção rápido.
Musculação: base firme e estável
Em exercícios como agachamento, levantamento terra, avanço e leg press, o pé precisa empurrar o chão com firmeza e sem balançar. Uma entressola alta e macia faz o pé afundar de forma desigual e reduz a estabilidade, principalmente com mais carga. Por isso, tênis de treino costumam ter sola mais baixa, firme e plana. Algumas pessoas preferem tênis bem baixos para essas atividades, mas isso depende do exercício, da carga e da orientação do professor.
Para musculação leve, com máquinas e pouca carga nas pernas, o tênis de corrida costuma dar conta. Quando os treinos de perna ficam mais pesados, um tênis de base firme passa a fazer diferença.
Treino funcional, aulas e mudanças de direção
Aulas com saltos, deslocamentos laterais, polichinelos e corridas curtas com freio pedem outro tipo de suporte. O tênis de treino, também chamado de cross-training, tem sola mais larga, cabedal com reforços nas laterais e borracha que aderem bem em pisos internos. O tênis de corrida, com base mais estreita e cabedal leve, pode deixar o pé escapar para os lados nesses movimentos.
| Corrida na rua ou na esteira | tênis de corrida |
| Caminhada, bicicleta e elíptico | tênis de corrida ou de treino |
| Musculação leve em máquinas | tênis de corrida ou de treino |
| Agachamento e levantamento com carga | tênis de treino, com sola baixa e firme |
| Funcional, HIIT e aulas com saltos laterais | tênis de treino, com suporte lateral |
| Corrida longa depois da academia | tênis de corrida |
Usar um par só: o que considerar
Se a sua rotina é principalmente correr e a academia é complemento leve, um bom tênis de corrida pode cobrir as duas coisas. Se a academia tem treinos de força pesados ou aulas com muitos movimentos laterais, ter um par de treino ajuda tanto no desempenho quanto na segurança do movimento.
- Usar o tênis de corrida também na academia e no dia a dia consome a vida útil da espuma mais rápido.
- Tênis muito macios ou com placa de carbono, pensados para provas, são os que menos combinam com musculação.
- Um tênis de treino não substitui o de corrida em treinos longos: ele costuma ter menos amortecimento.
- Ter dois pares divide o desgaste e pode fazer cada um durar mais.
Dor no joelho, no tornozelo ou nas costas durante os treinos merece atenção. Converse com o professor sobre a execução e procure um profissional de saúde se a dor persistir. O calçado é só um dos fatores.
Para a parte da corrida, o teste do RUN DNA indica o tipo de tênis pelo seu objetivo e volume de treino, e ajuda a perceber se um par versátil atende a sua rotina.
Cada tênis é bom no movimento para o qual foi desenhado. Saber qual é o seu movimento principal resolve a dúvida.
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