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Do Cortez ao supertênis: meio século de tênis de corrida

A história do tênis de corrida desde o boom do jogging nos anos 70, passando pelo minimalismo e pelo maximalismo, até as placas de carbono.

Nível: Todos3 min de leitura#história #minimalismo #maximalismo

O tênis de corrida moderno é jovem. Até meados do século 20, corredores usavam sapatilhas de couro com pouca ou nenhuma proteção. A transformação começou quando correr deixou de ser coisa de atleta e virou hábito de milhões de pessoas.

Conhecer essa trajetória ajuda a entender por que os tênis atuais são como são e por que certas ideias vão e voltam.

Anos 70: o jogging e o primeiro amortecimento

Nos Estados Unidos dos anos 70, o jogging virou fenômeno popular. Nesse contexto surgiram modelos como o Nike Cortez, lançado no início da década, com uma entressola de espuma que oferecia mais conforto do que as sapatilhas da época. O treinador Bill Bowerman, cofundador da Nike, experimentou solados com padrão de waffle para melhorar a tração. Outras marcas, como Adidas, Asics e New Balance, também disputavam esse novo corredor amador.

Anos 80 e 90: amortecimento e controle

Com mais gente correndo, cresceu a preocupação com lesões. As marcas responderam com mais amortecimento e com sistemas para controlar o movimento do pé. Bolsas de ar, géis e espumas mais espessas viraram argumento de venda. Os tênis de estabilidade e controle de movimento ganharam espaço, junto com a ideia de que o tipo de pisada deveria guiar a escolha.

2009: a onda minimalista

O livro Born to Run, de Christopher McDougall, publicado em 2009, popularizou a ideia de que o ser humano correria melhor com menos tênis. Inspirado em corredores descalços e de sandálias, o movimento minimalista impulsionou calçados de solado fino, sem drop e com pouco amortecimento, como os modelos com dedos separados.

Muitos corredores gostaram da sensação de contato com o chão. Outros mudaram rápido demais e enfrentaram sobrecargas na panturrilha e no pé. A onda perdeu força alguns anos depois, mas deixou heranças: tênis mais leves, drops mais baixos e cabedais mais flexíveis.

Maximalismo e supertênis

Quase ao mesmo tempo, uma marca francesa fundada em 2009, a Hoka, apostou no oposto: entressolas muito altas e geometria em balanço, com a ponta curvada. O que parecia exótico virou tendência, e o mercado inteiro elevou suas alturas.

Em 2017, a Nike apresentou o Vaporfly, que combinava espuma leve de alto retorno, muita altura e uma placa de carbono. No mesmo ano, o projeto Breaking2 levou Eliud Kipchoge a correr uma maratona perto das duas horas em condições controladas, usando protótipos dessa família. Nos anos seguintes, recordes caíram em série, e as outras marcas lançaram seus próprios modelos com placa.

Linha do tempo resumida
Anos 1970boom do jogging, primeiras entressolas de espuma
Anos 1980–1990sistemas de amortecimento e controle de movimento
2009Born to Run e onda minimalista; fundação da Hoka
Anos 2010espumas mais leves e popularização do maximalismo
2017 em diantesupertênis com placa e espuma de alto retorno

O que essa história ensina

Cada fase corrigiu exageros da anterior e criou os seus. O resultado atual é um mercado mais diverso, com opções para quem quer sentir o chão e para quem quer máxima proteção. Para o corredor amador, a lição é olhar para as tendências com curiosidade e escolher pelo conforto e pelo uso, não pela moda do momento.

Dica
Quando uma tecnologia nova aparecer, espere ver como ela se comporta nas versões seguintes antes de mudar todo o seu arsenal.
O tênis de corrida avança em ondas. O corredor esperto aproveita o que cada uma deixou de bom.
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