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A regra dos 40 mm: como a World Athletics redesenhou os supertênis

Por que a federação internacional criou limites de altura e de placa para calçados de competição e o que isso mudou para atletas e amadores.

Nível: Avançado3 min de leitura#regras #supertênis #competição

A chegada dos tênis com placa de carbono e espuma de alto retorno mudou o ritmo das provas de rua. Recordes caíram em série e a discussão sobre os limites da tecnologia chegou à World Athletics, a federação internacional de atletismo. A resposta foi um conjunto de regras para calçados de competição, anunciado em 2020 e ajustado nos anos seguintes.

Para o amador, as regras parecem distantes. Mas elas moldaram o desenho de quase todos os tênis de prova vendidos hoje.

O que motivou as regras

Depois do Vaporfly, em 2017, e de protótipos ainda mais altos usados em tentativas especiais de quebrar a barreira das duas horas na maratona, surgiu a preocupação de que a vantagem tecnológica estivesse pesando demais no resultado. A federação queria preservar a ideia de que o desempenho vem principalmente do atleta e garantir que todos tivessem acesso aos mesmos equipamentos.

O que as regras estabelecem

  • Altura máxima da sola de 40 mm para provas de rua.
  • Limites menores para sapatilhas de pista, que variam conforme a prova.
  • No máximo uma placa rígida embutida na sola, em geral.
  • O modelo precisa estar disponível ao público por um período antes de ser usado em competição de elite.
  • Protótipos só podem ser usados em condições específicas e controladas.

Os detalhes técnicos, como a forma exata de medir a altura e os prazos de disponibilidade, foram ajustados ao longo do tempo. Quem compete em nível de elite deve conferir o regulamento vigente no site da federação.

O que mudou no mercado

O limite de 40 mm virou uma espécie de teto de projeto. Os fabricantes passaram a desenhar seus modelos de prova o mais perto possível desse número, buscando o máximo de espuma permitido. Ao mesmo tempo, a regra da disponibilidade comercial fez os modelos de elite chegarem mais rápido às lojas.

Curiosamente, o teto valeu só para competição. Alguns tênis de treino passaram a ultrapassar os 40 mm, já que não precisam seguir a regra. Por isso, um modelo muito alto pode ser ótimo para o longão e irregular para uma prova oficial de elite.

Referências de altura máxima
Provas de rua40 mm
Tênis de prova atuaisgeralmente 35–40 mm no calcanhar
Treino diário30–38 mm, alguns acima de 40 mm
Placas permitidasuma, em regra geral

E para o corredor amador

Em provas populares, a fiscalização de calçados praticamente não acontece para quem corre fora da elite. Ainda assim, as regras afetam o amador indiretamente: os tênis de prova disponíveis nas lojas seguem esse desenho, e a altura de 35 a 40 mm virou padrão na categoria.

Para quem não está acostumado, tanta altura somada a uma placa rígida pode parecer instável, principalmente em curvas e no fim da prova, quando a técnica se deteriora. Testar o modelo em treinos de ritmo antes da prova continua sendo essencial. E qualquer desconforto persistente ao usar esse tipo de tênis merece avaliação de um profissional.

Um debate que continua

A discussão sobre tecnologia e justiça esportiva não terminou com as regras. Novas espumas e geometrias seguem surgindo dentro dos limites, e a federação mantém a possibilidade de revisar o regulamento. Para o corredor comum, a mensagem é simples: o tênis ajuda, mas o treino continua decidindo.

Dica
Se você pretende competir em prova com controle de equipamento, confira a lista de calçados aprovados pela federação antes de comprar o modelo de prova.
O limite de 40 mm virou a régua contra a qual todo tênis de prova é desenhado.
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