A regra dos 40 mm: como a World Athletics redesenhou os supertênis
Por que a federação internacional criou limites de altura e de placa para calçados de competição e o que isso mudou para atletas e amadores.
A chegada dos tênis com placa de carbono e espuma de alto retorno mudou o ritmo das provas de rua. Recordes caíram em série e a discussão sobre os limites da tecnologia chegou à World Athletics, a federação internacional de atletismo. A resposta foi um conjunto de regras para calçados de competição, anunciado em 2020 e ajustado nos anos seguintes.
Para o amador, as regras parecem distantes. Mas elas moldaram o desenho de quase todos os tênis de prova vendidos hoje.
O que motivou as regras
Depois do Vaporfly, em 2017, e de protótipos ainda mais altos usados em tentativas especiais de quebrar a barreira das duas horas na maratona, surgiu a preocupação de que a vantagem tecnológica estivesse pesando demais no resultado. A federação queria preservar a ideia de que o desempenho vem principalmente do atleta e garantir que todos tivessem acesso aos mesmos equipamentos.
O que as regras estabelecem
- Altura máxima da sola de 40 mm para provas de rua.
- Limites menores para sapatilhas de pista, que variam conforme a prova.
- No máximo uma placa rígida embutida na sola, em geral.
- O modelo precisa estar disponível ao público por um período antes de ser usado em competição de elite.
- Protótipos só podem ser usados em condições específicas e controladas.
Os detalhes técnicos, como a forma exata de medir a altura e os prazos de disponibilidade, foram ajustados ao longo do tempo. Quem compete em nível de elite deve conferir o regulamento vigente no site da federação.
O que mudou no mercado
O limite de 40 mm virou uma espécie de teto de projeto. Os fabricantes passaram a desenhar seus modelos de prova o mais perto possível desse número, buscando o máximo de espuma permitido. Ao mesmo tempo, a regra da disponibilidade comercial fez os modelos de elite chegarem mais rápido às lojas.
Curiosamente, o teto valeu só para competição. Alguns tênis de treino passaram a ultrapassar os 40 mm, já que não precisam seguir a regra. Por isso, um modelo muito alto pode ser ótimo para o longão e irregular para uma prova oficial de elite.
| Provas de rua | 40 mm |
| Tênis de prova atuais | geralmente 35–40 mm no calcanhar |
| Treino diário | 30–38 mm, alguns acima de 40 mm |
| Placas permitidas | uma, em regra geral |
E para o corredor amador
Em provas populares, a fiscalização de calçados praticamente não acontece para quem corre fora da elite. Ainda assim, as regras afetam o amador indiretamente: os tênis de prova disponíveis nas lojas seguem esse desenho, e a altura de 35 a 40 mm virou padrão na categoria.
Para quem não está acostumado, tanta altura somada a uma placa rígida pode parecer instável, principalmente em curvas e no fim da prova, quando a técnica se deteriora. Testar o modelo em treinos de ritmo antes da prova continua sendo essencial. E qualquer desconforto persistente ao usar esse tipo de tênis merece avaliação de um profissional.
Um debate que continua
A discussão sobre tecnologia e justiça esportiva não terminou com as regras. Novas espumas e geometrias seguem surgindo dentro dos limites, e a federação mantém a possibilidade de revisar o regulamento. Para o corredor comum, a mensagem é simples: o tênis ajuda, mas o treino continua decidindo.
O limite de 40 mm virou a régua contra a qual todo tênis de prova é desenhado.
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