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Espumas de entressola: de EVA a PEBA e supercríticas

Como funcionam as principais espumas dos tênis de corrida e o que muda entre EVA, TPU expandido, PEBA e espumas supercríticas.

Nível: Intermediário3 min de leitura#espuma #entressola #materiais

A entressola é a camada de espuma entre o cabedal e o solado. Ela concentra boa parte da tecnologia de um tênis de corrida e define três características centrais: amortecimento, que é a capacidade de absorver impacto; retorno de energia, que é quanto da energia comprimida volta na impulsão; e durabilidade.

Nos últimos anos, as espumas evoluíram mais do que qualquer outra parte do tênis. Conhecer as famílias principais ajuda a interpretar fichas técnicas e nomes comerciais.

EVA: a base clássica

O EVA, sigla de etileno acetato de vinila, é a espuma mais tradicional dos tênis de corrida. É leve, barata de produzir e fácil de moldar. Com o tempo, ganhou versões compactadas, chamadas de EVA compression-molded, e misturas com borrachas e outros polímeros. Sua limitação é perder resiliência com o uso e variar de rigidez conforme a temperatura.

TPU expandido: durabilidade e Boost

O TPU, poliuretano termoplástico, ficou popular na corrida com o Boost, lançado pela Adidas em 2013 em parceria com uma empresa química. A espuma é feita de pequenas esferas de TPU expandido fundidas entre si. Ela oferece bom retorno de energia, sensação elástica e boa resistência à temperatura e ao desgaste. A desvantagem é o peso, maior que o de espumas mais recentes.

PEBA: a espuma dos supertênis

O PEBA, poliéter bloco amida, é um polímero muito leve e de alto retorno de energia. Ficou famoso como base da espuma do Nike Vaporfly, em 2017, e hoje aparece em vários tênis de prova de diferentes marcas. É macio, saltitante e leve, mas tende a ser menos estável e menos durável do que espumas de treino. Por isso costuma aparecer em modelos de prova ou combinado com camadas mais firmes.

Espumas supercríticas

Espuma supercrítica é o nome de um processo de fabricação que pode ser aplicado a vários materiais. Um gás, como nitrogênio ou dióxido de carbono, é levado a um estado especial de pressão e temperatura e injetado no polímero. O resultado são células mais pequenas e uniformes, que deixam a espuma mais leve e resiliente. O processo pode ser aplicado a EVA, TPU, PEBA e misturas, e várias marcas usam essa técnica em linhas de treino e de prova.

Comparativo qualitativo
EVAleve, firme a macio, retorno moderado
TPU expandidodurável, elástico, mais pesado
PEBAmuito leve, alto retorno, menos estável
Supercríticaprocesso que deixa espumas mais leves e uniformes

Como isso afeta a escolha

  • Para treino diário, espumas mais firmes e duráveis costumam ser a base.
  • Para ritmo e prova, espumas leves e de alto retorno fazem diferença.
  • Muitos tênis combinam duas espumas: uma macia perto do pé e uma firme embaixo.
  • Nome comercial de espuma não revela o material; procure a composição.

A espuma mais avançada não é automaticamente a melhor para você. Espumas muito macias podem cansar o tornozelo em treinos longos, e as de alto retorno se desgastam mais rápido. O ideal é combinar o tipo de espuma ao uso do tênis.

Vale lembrar também que a mesma espuma pode se comportar de formas diferentes conforme a espessura, a densidade e a geometria do tênis. Uma camada fina de espuma de alto retorno em um tênis de treino terá sensação bem distinta da mesma espuma em 40 mm de altura num modelo de prova. Por isso, a ficha técnica ajuda, mas o teste em movimento continua sendo decisivo.

Dica
Ao comparar modelos, aperte a entressola com o polegar dos dois lados. A diferença de firmeza dá uma pista de como cada um vai se comportar.
A espuma é o motor do tênis. Cada uma tem seu jeito de devolver a passada.
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