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Rigidez, RA e materiais compósitos: do que a raquete é feita

Como grafite, outras fibras e camadas de amortecimento definem potência, conforto e sensação, e como ler o número de rigidez.

Nível: Intermediário3 min de leitura#rigidez #RA #materiais #grafite

Quase toda raquete atual é feita de compósito: um material formado por fibras, principalmente de carbono, mergulhadas em resina e moldadas sob calor e pressão. O jeito como essas fibras são escolhidas, orientadas e combinadas define a rigidez, a sensação e boa parte do comportamento da raquete.

As fichas técnicas resumem tudo isso em um número, o RA. Ele não conta a história inteira, mas é um bom começo.

O que é rigidez RA

RA é uma medida de quanto o aro flexiona quando uma força é aplicada, obtida em uma máquina padronizada usada pela indústria. Quanto maior o número, mais rígida a raquete. A maioria das raquetes atuais fica entre 58 e 72 RA.

Escala de rigidez
Flexível58–63 RA
Média64–67 RA
Rígida68–72 RA

Uma raquete rígida perde menos energia flexionando, então devolve mais potência. Também transmite mais choque ao braço. Uma raquete flexível segura a bola nas cordas por um instante a mais, dá sensação de controle e é mais confortável, mas exige mais do jogador para gerar velocidade.

O RA mede a raquete sem corda e numa condição estática. A sensação real depende também do encordoamento, do peso e da distribuição da rigidez ao longo do aro. Duas raquetes com o mesmo RA podem ser bem diferentes na quadra.

Grafite e suas variações

O grafite, ou fibra de carbono, é a base. Fibras de alto módulo são mais rígidas e permitem aros leves e firmes. Fibras de módulo menor são mais flexíveis. A orientação das camadas também importa: fibras alinhadas ao comprimento do aro dão rigidez de flexão, fibras em diagonal ajudam a resistir à torção.

Outras fibras e amortecedores

  • Basalto: fibra de origem vulcânica usada em algumas raquetes para alterar a sensação e filtrar vibração.
  • Kevlar e aramidas: fibras resistentes que já foram usadas para reforço e sensação mais firme.
  • Fibra de vidro: mais flexível, usada para dar conforto em pontos específicos.
  • Elastômeros e espumas: inseridos no cabo ou no aro para reduzir vibração.
  • Resinas modificadas: alteram a resposta e a durabilidade do compósito.

Cada marca dá nomes próprios a essas soluções. Por trás dos nomes, a lógica é a mesma: combinar materiais rígidos onde a raquete precisa de potência e estabilidade com materiais que absorvem vibração onde o conforto importa.

Como usar essa informação

Se você tem histórico de dor no braço, a rigidez é um dos primeiros números a observar, e vale conversar com um profissional de saúde sobre o que faz sentido no seu caso. Se você busca potência sem precisar de golpes longos, uma raquete mais rígida ajuda. Se já gera muita velocidade e quer sentir a bola, raquetes mais flexíveis tendem a agradar.

O processo de fabricação também influencia. As fibras chegam em lâminas pré-impregnadas de resina, que são empilhadas em várias camadas sobre um molde. A quantidade de camadas, a ordem e o ângulo de cada uma mudam o resultado final. Por isso duas raquetes com o mesmo peso e o mesmo RA podem ter sensações diferentes: a rigidez pode estar concentrada no coração, nas laterais ou no topo do aro.

Com o uso, a raquete pode perder um pouco da rigidez original, principalmente depois de muitos anos e muitos encordoamentos. Rachaduras no aro, visíveis ou não, também mudam o comportamento e merecem atenção.

Dica
Use o RA para separar candidatas. Entre duas raquetes com números parecidos, a quadra é quem desempata.
O número diz quanto a raquete dobra. A mão diz se você gosta disso.
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