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Topspin e poliéster: como o jogo moderno mudou raquete e corda

A chegada das cordas de poliéster e o domínio do topspin transformaram golpes, raquetes e a forma de encordoar.

Nível: Intermediário3 min de leitura#topspin #poliéster #jogo moderno

Quem assiste a um jogo de hoje e a um do início dos anos 90 percebe na hora: a bola gira muito mais. O topspin, efeito em que a bola roda para a frente e cai rápido depois de passar a rede, virou a base do jogo de fundo de quadra. Essa mudança tem muito a ver com técnica e condicionamento, mas também com um material: o poliéster.

Raquete e corda evoluíram juntas para permitir golpes mais rápidos e com mais rotação sem perder o controle.

A chegada do poliéster

Por décadas, a corda de referência foi a tripa natural, feita de intestino bovino, elástica e confortável. Depois vieram as sintéticas de náilon. No fim dos anos 90 e nos anos 2000, as cordas de poliéster ganharam o circuito profissional. A marca Luxilon ficou associada a essa virada, e Gustavo Kuerten aparece com frequência entre os primeiros campeões ligados a ela.

O poliéster é mais rígido e durável. As cordas verticais deslizam sobre as horizontais no impacto e voltam para o lugar, um movimento chamado de snapback. Esse retorno acrescenta rotação na bola. O resultado é poder bater muito forte e ver a bola cair dentro da quadra graças ao efeito.

O golpe que mudou

Com o poliéster, a técnica mudou. As empunhaduras ficaram mais fechadas, como a semi-western e a western, que posicionam a face da raquete para escovar a bola de baixo para cima. A terminação do forehand, que antes passava por cima do ombro, passou a incluir finalizações curtas sobre a cabeça ou do mesmo lado do corpo, conhecidas como finalização de limpador de para-brisa.

A raquete acompanhou

  • Cabeças de 98 a 100 pol² se tornaram padrão, dando espaço para as cordas se moverem.
  • Padrões abertos como 16x19 e 16x18 ganharam espaço por facilitar a rotação.
  • Feixes mais largos e aros rígidos devolveram potência perdida pela corda mais dura.
  • Perfis aerodinâmicos surgiram para facilitar a aceleração da raquete.

Também mudou a forma de encordoar. Muitos jogadores passaram a usar poliéster com tensão mais baixa, para recuperar conforto e potência. Outros adotaram encordoamentos híbridos, com poliéster nas verticais e tripa ou multifilamento nas horizontais, buscando efeito com mais conforto.

Encordoamento típico no jogo moderno
Cordapoliéster ou híbrido
Tensão do poliéster45–55 lb (20–25 kg)
Padrão de cordas16x19 ou 16x18
Bitola1,20–1,30 mm

E o amador?

O poliéster funciona melhor para quem gera muita velocidade de braço. Para quem joga ocasionalmente, a corda pode ficar dura e pouco responsiva, e perde elasticidade rápido. Além disso, é a corda mais associada a desconforto no braço quando usada tensa ou velha. Copiar o encordoamento do circuito sem ter o mesmo golpe costuma trazer mais prejuízo que ganho.

As quadras e as bolas também mudaram no mesmo período, e é difícil separar o efeito de cada fator. O certo é que raquete, corda, técnica e preparação física evoluíram juntas. Uma depende da outra: sem o golpe moderno, o poliéster rende pouco, e sem o poliéster, o golpe moderno perde margem de segurança.

Para o amador, a lição é olhar o próprio golpe antes de olhar a corda do circuito.

Dica
Se quer experimentar poliéster, comece por um híbrido ou por poliéster com bitola fina e tensão baixa, e troque a corda assim que sentir que ela perdeu resposta.
O jogo ficou mais rápido porque a bola aprendeu a girar.
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