Topspin e poliéster: como o jogo moderno mudou raquete e corda
A chegada das cordas de poliéster e o domínio do topspin transformaram golpes, raquetes e a forma de encordoar.
Quem assiste a um jogo de hoje e a um do início dos anos 90 percebe na hora: a bola gira muito mais. O topspin, efeito em que a bola roda para a frente e cai rápido depois de passar a rede, virou a base do jogo de fundo de quadra. Essa mudança tem muito a ver com técnica e condicionamento, mas também com um material: o poliéster.
Raquete e corda evoluíram juntas para permitir golpes mais rápidos e com mais rotação sem perder o controle.
A chegada do poliéster
Por décadas, a corda de referência foi a tripa natural, feita de intestino bovino, elástica e confortável. Depois vieram as sintéticas de náilon. No fim dos anos 90 e nos anos 2000, as cordas de poliéster ganharam o circuito profissional. A marca Luxilon ficou associada a essa virada, e Gustavo Kuerten aparece com frequência entre os primeiros campeões ligados a ela.
O poliéster é mais rígido e durável. As cordas verticais deslizam sobre as horizontais no impacto e voltam para o lugar, um movimento chamado de snapback. Esse retorno acrescenta rotação na bola. O resultado é poder bater muito forte e ver a bola cair dentro da quadra graças ao efeito.
O golpe que mudou
Com o poliéster, a técnica mudou. As empunhaduras ficaram mais fechadas, como a semi-western e a western, que posicionam a face da raquete para escovar a bola de baixo para cima. A terminação do forehand, que antes passava por cima do ombro, passou a incluir finalizações curtas sobre a cabeça ou do mesmo lado do corpo, conhecidas como finalização de limpador de para-brisa.
A raquete acompanhou
- Cabeças de 98 a 100 pol² se tornaram padrão, dando espaço para as cordas se moverem.
- Padrões abertos como 16x19 e 16x18 ganharam espaço por facilitar a rotação.
- Feixes mais largos e aros rígidos devolveram potência perdida pela corda mais dura.
- Perfis aerodinâmicos surgiram para facilitar a aceleração da raquete.
Também mudou a forma de encordoar. Muitos jogadores passaram a usar poliéster com tensão mais baixa, para recuperar conforto e potência. Outros adotaram encordoamentos híbridos, com poliéster nas verticais e tripa ou multifilamento nas horizontais, buscando efeito com mais conforto.
| Corda | poliéster ou híbrido |
| Tensão do poliéster | 45–55 lb (20–25 kg) |
| Padrão de cordas | 16x19 ou 16x18 |
| Bitola | 1,20–1,30 mm |
E o amador?
O poliéster funciona melhor para quem gera muita velocidade de braço. Para quem joga ocasionalmente, a corda pode ficar dura e pouco responsiva, e perde elasticidade rápido. Além disso, é a corda mais associada a desconforto no braço quando usada tensa ou velha. Copiar o encordoamento do circuito sem ter o mesmo golpe costuma trazer mais prejuízo que ganho.
As quadras e as bolas também mudaram no mesmo período, e é difícil separar o efeito de cada fator. O certo é que raquete, corda, técnica e preparação física evoluíram juntas. Uma depende da outra: sem o golpe moderno, o poliéster rende pouco, e sem o poliéster, o golpe moderno perde margem de segurança.
Para o amador, a lição é olhar o próprio golpe antes de olhar a corda do circuito.
O jogo ficou mais rápido porque a bola aprendeu a girar.
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