Da madeira ao grafite: como a raquete de tênis mudou em um século
Madeira, aço, alumínio, oversize e grafite: a história dos materiais que mudaram o tamanho, o peso e a velocidade do jogo.
Durante a maior parte do século 20, raquete de tênis era sinônimo de madeira. Aros laminados, cabeças pequenas, cordas de tripa natural. O jogo era mais lento, os golpes mais planos e a precisão exigida, enorme. Em poucas décadas, novos materiais mudaram tudo.
Entender essa história ajuda a ler as fichas técnicas atuais. Quase tudo que se discute hoje, como tamanho de cabeça, rigidez e peso, nasceu de uma dessas transições.
A era da madeira
As raquetes de madeira eram feitas de várias lâminas coladas e curvadas. Pesavam mais do que as atuais e tinham cabeças de cerca de 65 a 70 pol². O sweet spot era pequeno e qualquer contato descentralizado era sentido no braço. A madeira também empenava com umidade, por isso muitas raquetes eram guardadas em prensas, estruturas de madeira presas ao aro.
Aço e alumínio
Nos anos 60 e 70 surgiram as raquetes de metal. A Wilson T2000, de aço, ficou famosa nas mãos de Jimmy Connors. O metal permitia aros mais finos e duráveis, mas trazia vibração e uma sensação menos precisa. O alumínio abriu caminho para a mudança mais visível da história da raquete.
Em 1976, a Prince lançou uma raquete oversize de alumínio, com cabeça muito maior que as de madeira, desenvolvida por Howard Head. A área de acerto crescia de forma radical. No início foi vista com desconfiança, depois virou referência para amadores e abriu a discussão sobre tamanho de cabeça que continua até hoje.
A revolução do grafite
Nos anos 80, o grafite, ou fibra de carbono, se popularizou. Ele combinava leveza, rigidez e a possibilidade de moldar o aro em formatos variados. Modelos como a Dunlop Max 200G, associada a John McEnroe e Steffi Graf, e a Wilson Pro Staff, usada por nomes como Stefan Edberg e depois Pete Sampras, mostraram que era possível ter cabeça maior que a da madeira com controle de alto nível.
Com o grafite, a madeira desapareceu do circuito profissional em poucos anos. As raquetes ficaram mais leves, mais rígidas e mais potentes, e o jogo acelerou.
| Até os anos 60 | madeira laminada, cabeça ≈65–70 pol² |
| Anos 60–70 | aço e alumínio |
| 1976 | Prince lança a raquete oversize |
| Anos 80 | grafite se torna padrão |
| Anos 90 em diante | compósitos, feixes largos, cabeças de 95–110 pol² |
Depois do grafite
Desde então, a evolução foi mais de refinamento do que de ruptura. Feixes mais largos nos anos 90, compósitos que misturam grafite com outras fibras, materiais de amortecimento, perfis aerodinâmicos. O grafite continua sendo a base. O que muda é como ele é combinado e moldado.
As regras também acompanharam: hoje a Federação Internacional de Tênis limita o comprimento a 29 pol, e a maioria das raquetes adultas fica em 27 pol, comprimento herdado da era da madeira.
As cordas acompanharam a mudança. Durante a era da madeira, a tripa natural reinava. As sintéticas de náilon ganharam espaço a partir dos anos 70 e 80, por custo e durabilidade, e mais tarde o poliéster mudou de novo o jogo. Cada salto de material da raquete acabou exigindo uma corda que acompanhasse a nova potência.
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