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Da madeira ao grafite: como a raquete de tênis mudou em um século

Madeira, aço, alumínio, oversize e grafite: a história dos materiais que mudaram o tamanho, o peso e a velocidade do jogo.

Nível: Todos3 min de leitura#história #madeira #grafite

Durante a maior parte do século 20, raquete de tênis era sinônimo de madeira. Aros laminados, cabeças pequenas, cordas de tripa natural. O jogo era mais lento, os golpes mais planos e a precisão exigida, enorme. Em poucas décadas, novos materiais mudaram tudo.

Entender essa história ajuda a ler as fichas técnicas atuais. Quase tudo que se discute hoje, como tamanho de cabeça, rigidez e peso, nasceu de uma dessas transições.

A era da madeira

As raquetes de madeira eram feitas de várias lâminas coladas e curvadas. Pesavam mais do que as atuais e tinham cabeças de cerca de 65 a 70 pol². O sweet spot era pequeno e qualquer contato descentralizado era sentido no braço. A madeira também empenava com umidade, por isso muitas raquetes eram guardadas em prensas, estruturas de madeira presas ao aro.

Aço e alumínio

Nos anos 60 e 70 surgiram as raquetes de metal. A Wilson T2000, de aço, ficou famosa nas mãos de Jimmy Connors. O metal permitia aros mais finos e duráveis, mas trazia vibração e uma sensação menos precisa. O alumínio abriu caminho para a mudança mais visível da história da raquete.

Em 1976, a Prince lançou uma raquete oversize de alumínio, com cabeça muito maior que as de madeira, desenvolvida por Howard Head. A área de acerto crescia de forma radical. No início foi vista com desconfiança, depois virou referência para amadores e abriu a discussão sobre tamanho de cabeça que continua até hoje.

A revolução do grafite

Nos anos 80, o grafite, ou fibra de carbono, se popularizou. Ele combinava leveza, rigidez e a possibilidade de moldar o aro em formatos variados. Modelos como a Dunlop Max 200G, associada a John McEnroe e Steffi Graf, e a Wilson Pro Staff, usada por nomes como Stefan Edberg e depois Pete Sampras, mostraram que era possível ter cabeça maior que a da madeira com controle de alto nível.

Com o grafite, a madeira desapareceu do circuito profissional em poucos anos. As raquetes ficaram mais leves, mais rígidas e mais potentes, e o jogo acelerou.

Marcos da raquete
Até os anos 60madeira laminada, cabeça ≈65–70 pol²
Anos 60–70aço e alumínio
1976Prince lança a raquete oversize
Anos 80grafite se torna padrão
Anos 90 em diantecompósitos, feixes largos, cabeças de 95–110 pol²

Depois do grafite

Desde então, a evolução foi mais de refinamento do que de ruptura. Feixes mais largos nos anos 90, compósitos que misturam grafite com outras fibras, materiais de amortecimento, perfis aerodinâmicos. O grafite continua sendo a base. O que muda é como ele é combinado e moldado.

As regras também acompanharam: hoje a Federação Internacional de Tênis limita o comprimento a 29 pol, e a maioria das raquetes adultas fica em 27 pol, comprimento herdado da era da madeira.

As cordas acompanharam a mudança. Durante a era da madeira, a tripa natural reinava. As sintéticas de náilon ganharam espaço a partir dos anos 70 e 80, por custo e durabilidade, e mais tarde o poliéster mudou de novo o jogo. Cada salto de material da raquete acabou exigindo uma corda que acompanhasse a nova potência.

Dica
Se tiver a chance, bata algumas bolas com uma raquete de madeira. Em poucos minutos você entende por que o sweet spot virou obsessão dos fabricantes.
Cada material novo deixou a bola mais rápida e o erro mais barato.
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