Do iniciante ao avançado: a escada de pranchas e o quiver
Veja como a prancha muda a cada fase do surf e como montar um quiver que cubra as ondas que você realmente encontra.
A prancha certa muda conforme o surfista evolui. Quem começa precisa de flutuação e estabilidade. Quem já surfa bem busca resposta e controle em ondas mais fortes. Entre esses dois pontos existe uma escada, e subir um degrau por vez costuma ser o caminho mais rápido.
Mais adiante, a pergunta deixa de ser qual é a próxima prancha e passa a ser quais pranchas cobrem as condições do seu pico. É aí que entra o quiver, o conjunto de pranchas de um surfista.
Os degraus mais comuns
- Fase da espuma: soft top ou longboard. Objetivo é ficar de pé e seguir em linha reta.
- Primeiras paredes: funboard ou evolution. Objetivo é remar para ondas que ainda não quebraram e fazer as primeiras curvas.
- Curvas de verdade: mid-length ou uma pranchinha com bastante volume. Objetivo é ligar cavada e batida, gerando velocidade sozinho.
- Performance: pranchinha com volume ajustado ao peso e ao nível. Objetivo é surfar ondas mais fortes com controle.
Quando subir de degrau
Alguns sinais indicam que é hora. Você pega ondas com facilidade, fica de pé sem pensar e começa a sentir que a prancha demora para virar. Você consegue escolher a onda, entrar antes de ela quebrar e seguir na parede. Se isso acontece com regularidade, uma prancha um pouco menor pode abrir novas manobras.
Se ainda há quedas frequentes na subida ou ondas perdidas por falta de remada, o degrau atual ainda tem muito a ensinar. Pular etapas costuma devolver o surfista ao começo.
Montando o quiver
Um quiver não precisa ser grande. Para a maioria dos surfistas intermediários no Brasil, duas pranchas resolvem boa parte do ano. Uma para dias pequenos e fracos, com mais volume e área. Outra para dias de ondas melhores, mais ajustada ao seu nível.
| Dias pequenos | fish ou groveler, 5'8" a 6'0", cerca de 36 a 40 litros |
| Dias bons | pranchinha, 6'0" a 6'2", cerca de 32 a 35 litros |
| Opcional | mid-length de 7'0" a 7'6" para dias de mar cheio |
Surfistas avançados podem acrescentar uma step-up, prancha um pouco mais longa e estreita para dias grandes, e, em casos extremos, um gun para ondas pesadas. Quem surfa por diversão pode preferir um quiver variado, com um longboard e um fish, para aproveitar o máximo de dias.
Volta para trás também é evolução
Muitos surfistas experientes voltam a usar longboards, mid-lengths e single fins. Pranchas diferentes exigem leituras diferentes da onda e ensinam outros movimentos. Ter uma prancha maior no quiver também garante surfar em dias que, de outra forma, ficariam perdidos.
Uma forma simples de decidir é olhar para o último ano. Em quantas sessões o mar estava pequeno e fraco, em quantas estava bom, em quantas estava grande? A distribuição desses dias mostra qual prancha merece prioridade. Para muita gente no litoral brasileiro, a prancha de dias pequenos acaba sendo a mais usada, e merece tanta atenção na escolha quanto a prancha principal.
Também vale pensar na transição entre as pranchas do quiver. Se a diferença de tamanho e volume entre elas for grande demais, cada troca exige uma readaptação. Pranchas com medidas próximas, mas com shapes diferentes, tornam a mudança mais natural e ajudam a manter o ritmo.
Qual prancha faz você remar, entrar na onda e evoluir no mar onde você surfa?
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