Da madeira ao thruster: uma breve história da prancha
Das pranchas de madeira havaianas ao poliuretano, à revolução da prancha curta e ao thruster de 1981, veja como o equipamento moldou o surf.
O surf moderno nasceu no Havaí, onde deslizar nas ondas era parte da cultura muito antes da chegada dos europeus. As pranchas eram de madeira maciça, esculpidas à mão. As maiores, chamadas olo, podiam passar de 4 metros e eram associadas à nobreza. As menores, as alaia, eram finas e sem quilha, exigindo enorme habilidade.
Cada mudança de material e de forma depois disso abriu novas possibilidades na onda. A história da prancha acompanha de perto a história do próprio surf.
Do Havaí para o mundo
No começo do século 20, o havaiano Duke Kahanamoku ajudou a levar o surf para a Califórnia e a Austrália com demonstrações que ficaram famosas. As pranchas ainda eram pesadas e difíceis de virar. Nos anos 1930, Tom Blake desenvolveu pranchas ocas, bem mais leves, e foi um dos primeiros a usar uma quilha fixa, que deu direção à prancha.
Balsa e depois espuma
Nos anos 1940 e 1950, shapers da Califórnia passaram a usar balsa, uma madeira leve, revestida de fibra de vidro e resina. As pranchas ficaram mais manobráveis, e o surf começou a ganhar curvas na parede da onda.
No fim dos anos 1950, chegou o núcleo de espuma de poliuretano, revestido de fibra de vidro e resina de poliéster. Hobie Alter e Gordon Clark estão entre os nomes ligados a essa transição. A espuma era mais fácil de moldar e de produzir em escala, e a prancha de PU virou o padrão por décadas.
A revolução da prancha curta
Até meados dos anos 1960, a maioria dos surfistas usava longboards de mais de 9 pés. Entre 1967 e 1969, surfistas e shapers como Bob McTavish, Nat Young, George Greenough e Dick Brewer começaram a encurtar e afinar as pranchas de forma radical. Em poucos anos, o comprimento médio caiu bastante, e o surf passou a explorar partes mais verticais e cavadas da onda.
Nos anos 1970, vieram experimentos de todo tipo, de single fins estreitos a fishes de rabeta swallow. No fim da década, a biquilha ganhou força, com o australiano Mark Richards conquistando títulos mundiais com esse tipo de prancha.
O thruster e o padrão moderno
Em 1980, o shaper e surfista australiano Simon Anderson criou o thruster, com três quilhas de tamanho parecido. A ideia somava a velocidade da biquilha ao controle da quilha central. Em 1981, ele venceu campeonatos importantes com a novidade, incluindo o de Bells Beach em ondas grandes. Em pouco tempo, o thruster virou padrão nas pranchinhas, posição que mantém até hoje.
| Havaí antigo | olo e alaia de madeira maciça |
| Anos 1930 | pranchas ocas e quilha fixa |
| Anos 1940 e 1950 | balsa com fibra de vidro |
| Fim dos anos 1950 | núcleo de poliuretano |
| 1967 a 1969 | revolução da prancha curta |
| 1980 e 1981 | thruster de Simon Anderson |
Depois do thruster
Desde então, a evolução ficou mais gradual. Vieram as quilhas removíveis, o shape assistido por computador, novas espumas e resinas e a volta de modelos antigos, como fishes, single fins e mid-lengths, agora com materiais atuais. O surfista de hoje tem acesso a uma variedade de formatos que não existia em nenhuma época anterior, e a escolha certa depende mais do que ele quer da onda do que de uma única tendência.
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